O Plasma Rico em Plaquetas pode fazer parte do tratamento da osteoartrite do joelho, mas existe um ponto frequentemente esquecido: a aplicação não substitui todo o restante do tratamento.
O Conselho Federal de Medicina regulamentou em julho de 2026 o uso do PRP como procedimento auxiliar para quatro condições osteomusculares, incluindo a artrose do joelho.
Dr. Mauro Júnior, ortopedista especialista em cirurgia do joelho e membro da SBCJ, explica que o PRP utiliza componentes do próprio sangue do paciente.
O sangue coletado é submetido a um processo de centrifugação. A partir dessa separação, obtém-se uma preparação concentrada em plaquetas.
As plaquetas possuem fatores de crescimento e mediadores capazes de participar da modulação de processos inflamatórios.
Essa característica ajuda a explicar por que o PRP vem sendo utilizado em determinados pacientes com artrose.
O que o procedimento não faz é devolver completamente uma cartilagem que já foi perdida.
Por isso, o estágio da artrose importa.
Segundo Dr. Mauro Júnior, pacientes nos estágios leves e moderados, incluindo casos selecionados de grau 3, podem apresentar um perfil mais adequado para o tratamento.
Já alterações mecânicas importantes podem limitar seus resultados.
Se existe deformidade acentuada, bloqueio articular ou o paciente não consegue mais dobrar ou estender totalmente o joelho, outras estratégias precisam ser avaliadas.
Depois da infiltração, começa outra parte importante do tratamento.
A resposta pode levar cerca de 30 a 60 dias para aparecer de maneira mais clara.
Nesse período, fisioterapia e fortalecimento muscular não são opcionais dentro de um tratamento completo. Eles ajudam a recuperar força, função e capacidade de controlar melhor as cargas que passam pelo joelho.
Exercícios de impacto também podem precisar de adaptação temporária.
Em alguns pacientes, Dr. Mauro Júnior utiliza a combinação do PRP com ácido hialurônico como parte da estratégia terapêutica.
Mesmo assim, nenhum procedimento deve ser apresentado como garantia de desaparecimento completo dos sintomas.
Para o especialista, uma redução entre 60% e 70% da dor e das limitações já pode representar uma resposta muito relevante.
O resultado deve ser analisado principalmente pela melhora funcional e pela qualidade de vida do paciente, e não pela expectativa de encontrar uma solução milagrosa.
PRP pode ser um aliado. Mas precisa estar inserido em um tratamento completo e individualizado.

