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Preocupação com impacto de fogos e música alta em autistas: Crer alerta para desafios na temporada de festas

A celebração de fim de ano, repleta de fogos de artifício e música alta, é um ritual querido por muitos, mas para os pais de crianças autistas atendidas pelo Centro Estadual de Reabilitação e Readaptação Dr. Henrique Santillo (Crer), essa tradição traz consigo uma preocupação intensa. Eles testemunham as mudanças abruptas no comportamento de seus filhos quando confrontados com o estrondo e a cacofonia, o que causa desconforto tanto para as crianças quanto para os cuidadores.

Sofia Martins, psicóloga do Crer que atende na clínica especializada em autismo, lança luz sobre o motivo pelo qual sons elevados afetam de maneira única as crianças autistas.

“Normalmente, as crianças com espectro autista interpretam os estímulos sensoriais de forma diferente. Quando esses estímulos aparecem em intensidades a que os pequenos não estão acostumados, ocorre uma desregulação emocional, podendo resultar em choros, gritos ou agitação”, explica Sofia.

Acácio Pedrollo, pai de Luísa, que participa de várias terapias na unidade, incluindo fonoaudiologia, terapia ocupacional, arteterapia e musicoterapia, compartilha sua preocupação com a falta de empatia das pessoas em relação às crianças autistas.

“Coloquei um cartaz na porta da minha casa para informar sobre a situação da minha filha, mas mesmo assim, muitos não se importam. Entendo que as pessoas queiram celebrar, e elas têm todo o direito, mas poderiam reduzir um pouco o volume e ter cuidado com os fogos”, desabafa Acácio.

A sensibilidade auditiva acentuada é um desafio adicional para muitas crianças autistas. Fernanda Santos, mãe de Davi, compartilha que, devido às festividades de Natal, eles estavam sem dormir há dois dias.

“Davi tem hipersensibilidade auditiva e sofre muito com a queima de fogos. Qualquer ruptura na rotina dele se torna muito complicada. Tentamos ficar em casa durante o fim de ano para evitar que ele fique muito agitado. Hoje em dia, não temos mais tanto prazer em comemorar essas datas”, lamenta Fernanda.

SES-GO orienta viajantes sobre emissão do certificado internacional de vacinação

A Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO) oferece orientações essenciais para aqueles que planejam aproveitar as férias escolares para viajar, destacando a importância do Certificado Internacional de Vacinação e Profilaxia (CIVP). Este documento é um requisito obrigatório para a entrada em 120 países distintos, principalmente como comprovação de imunização contra a febre amarela. Você pode verificar a lista de países que exigem o CIVP no seguinte endereço: https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/paf/certificado-internacional-de-vacinacao/arquivos/lista-simplificada-de-paises-que-exigem-o-civp-febre-amarela.

É crucial lembrar que a vacinação deve ocorrer pelo menos 10 dias antes da viagem, especialmente no caso da vacina contra a febre amarela, para viajantes a partir dos nove meses de idade. Além disso, em situações excepcionais, o certificado também pode ser solicitado para doenças como Meningite e Poliomielite, especialmente em países onde essas doenças ainda são transmitidas. Para obter o certificado, é necessário fornecer informações do cartão de vacinação, RG ou CPF e certidão de nascimento.

No caso de viajantes que não podem ser vacinados contra a febre amarela devido a razões médicas, é imprescindível apresentar um atestado médico de isenção de vacinação, redigido em inglês ou francês, além do português. Além disso, ao planejar voos com escalas ou conexões, é importante atender às exigências dos países onde ocorrerão as paradas dos voos. O registro do imunizante deve conter a data, lote completo, carimbo da unidade e o nome do profissional que realizou a aplicação.

Todas as informações relacionadas ao certificado estão disponíveis no Portal Expresso do Governo de Goiás: https://www.go.gov.br/servicos/servico/solicitar-certificado-internacional-de-vacinacao-e-profilaxia. O processo de emissão do documento pode ser acessado através do link https://www.gov.br/pt-br e geralmente leva cerca de cinco dias úteis. Para aqueles que têm urgência, é possível garantir agilidade na emissão ligando para o número 0800-642-9782 entre a compra da passagem e o embarque.

Além da obtenção do certificado internacional, a gerente de Imunizações da SES-GO, Joice Dorneles, fornece orientações adicionais para garantir viagens nacionais seguras, especialmente para aqueles que planejam visitar áreas de mata. Ela recomenda o uso de roupas leves, a importância de sempre carregar repelente e a adoção de medidas preventivas para garantir a segurança não apenas do indivíduo, mas também de toda a família. Além da febre amarela, doenças como dengue, zika e chikungunya são preocupações, especialmente durante períodos chuvosos, quando essas arboviroses têm maior circulação.

Instituto abre seleção para médicos generalistas na Rede Estadual de Hemoterapia

O Instituto de Desenvolvimento Tecnológico e Humano (Idtech), responsável pela gestão da Rede Hemo, anunciou a abertura de um processo seletivo destinado à contratação de médicos generalistas para atuar em regime emergencial nos municípios de Formosa, Iporá e Porangatu, sob a égide da Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT).

A iniciativa visa preencher demandas cruciais na área da saúde, oferecendo oportunidades inclusivas, uma vez que as contratações também contemplam pessoas com deficiência (PCD).

Os interessados têm a oportunidade de se candidatar enquanto perdurarem as vagas disponíveis, devendo encaminhar seus currículos para o e-mail [email protected]. Importante ressaltar que o processo de inscrição é isento de custos.

As especificações para os cargos de médicos generalistas variam conforme o município de atuação. Para Formosa, a carga horária é flexível, oferecendo 30 horas semanais com remuneração de R$ 8.164,87 ou 20 horas com um salário de R$ 5.744,08, além de uma gratificação de R$ 2.380,00 destinada ao profissional que assumir o papel de responsável técnico da unidade, seguindo as diretrizes do Conselho Regional de Medicina de Goiás (Cremego).

Em Iporá e Porangatu, as vagas disponíveis são para jornadas de 20 ou 30 horas semanais, com salários respectivos de R$ 5.744,08 e R$ 8.164,87. Além disso, os contratados terão direito a benefícios como vale alimentação, plano de saúde e convênio com o Serviço Social do Comércio (Sesc).

Essa oportunidade não apenas supre uma necessidade latente na área da saúde, mas também oferece um leque de vantagens e benefícios aos profissionais interessados em integrar a Rede Hemo, reforçando o compromisso com a qualidade e a assistência médica nas localidades contempladas.

Especialistas do Hecad compartilham diretrizes vitais para a segurança das crianças durante as férias escolares

Com a chegada das férias escolares, especialistas renomados do Hospital Estadual da Criança e do Adolescente (Hecad) trouxeram à tona, nesta semana, uma série de conselhos cruciais para os pais e responsáveis, visando evitar acidentes domésticos durante o período em que as crianças permanecem mais tempo em casa.

A Dra. Ingrid Araújo, ortopedista pediátrica e gerente médica do Hecad, vinculado à Secretaria de Estado da Saúde do Governo de Goiás, ressaltou a necessidade de ampliar a atenção para tudo que está ao alcance visual das crianças.

“Devido à curiosidade natural das crianças e à sua percepção diferenciada de perigo em relação aos adultos, é fundamental que os pais estejam atentos ao que está ao nível dos olhos das crianças. Isso pode despertar curiosidade e resultar em situações de risco”, destacou a médica.

Os números alarmantes do Ministério da Saúde revelam que os acidentes são a principal causa de morte de crianças até os nove anos no Brasil. Apenas em 2023, o Hecad registrou 4.295 atendimentos ligados a quedas, ferimentos e queimaduras.

“Aconselhamos aos responsáveis que evitem o acesso das crianças a objetos cortantes ou pontiagudos, guardando esses utensílios em gavetas e armários mais altos. Além disso, manter a tampa do vaso sanitário fechada e com trava, quando possível, é crucial, já que a água pode atrair a atenção das crianças. Da mesma forma, o uso de tapetes antiderrapantes na cozinha e no banheiro, locais com piso mais escorregadio, é recomendado”, enfatizou a especialista.

Para assegurar a segurança, é imprescindível usar apenas as bocas traseiras do fogão, dificultando o acesso das crianças ao fogo, e garantir que os cabos das panelas estejam voltados para dentro.

“É necessário também atentar para o uso de toalhas de mesa, uma vez que as crianças podem puxá-las, resultando em queimaduras caso haja recipientes com alimentos quentes ou acidentes com objetos cortantes, como recipientes de vidro, copos e taças”, alertou Ingrid Araújo.

Os especialistas também enfatizaram a importância de verificar o prazo de validade e a condição das telas de proteção de apartamentos, já que ficam expostas ao sol e à chuva, podendo comprometer a segurança das crianças. De acordo com a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), esses equipamentos têm validade máxima de três anos.

“Outra orientação importante é permitir o acesso das crianças a ambientes com piscina somente sob supervisão de um adulto”, afirmou o médico.

Com a chegada das férias e o aumento do tempo em que as crianças permanecem em casa, é essencial revisar onde os produtos de limpeza e medicamentos são armazenados.

“O ideal é que esses itens estejam fora do alcance das crianças, em locais de difícil acesso. Proteger as tomadas, as extremidades das mesas e os móveis pontiagudos também é fundamental para prevenir acidentes domésticos”, destacou o pediatra André Resende.

Este ano, um trágico acidente tirou a vida de uma criança de seis anos em um pula-pula, justamente no dia do seu aniversário. Os especialistas do Hecad alertaram que acidentes desse tipo são frequentes e os pais precisam estar atentos à capacidade do brinquedo, intensidade das brincadeiras e à separação das crianças por idade.

“O pula-pula é um brinquedo presente em diversas situações, desde reuniões familiares até festas de aniversário. É crucial que os pais limitem o número de crianças nesse brinquedo, permitindo no máximo três de cada vez, e que essas crianças sejam da mesma idade e peso semelhante, pois são impulsionadas durante a brincadeira”, orientou Ingrid Araújo.

A especialista em ortopedia pediátrica também ressaltou a importância de cobrir a borda do pula-pula para evitar que o pé da criança fique preso entre os espaços das molas.

Ministério da Saúde investe R$ 256 milhões para vigilância e contenção de arboviroses

O Ministério da Saúde anuncia um investimento significativo no valor de R$ 256 milhões para reforçar a vigilância e a contenção das arboviroses, como dengue, chikungunya e Zika. Esse aporte será formalizado por meio de uma portaria nos próximos dias, com uma parcela substancial de R$ 111,5 milhões destinada ainda este ano.

Parte desse montante, especificamente R$ 39,5 milhões, será direcionada aos estados e ao Distrito Federal, enquanto outros R$ 72 milhões serão destinados aos municípios, visando fortalecer as ações de vigilância e contenção do Aedes aegypti. Outros R$ 144,4 milhões serão repassados para impulsionar atividades de vigilância em saúde.

Uma das iniciativas notáveis é a criação da Sala Nacional de Arboviroses (SNA), um espaço permanente destinado ao monitoramento em tempo real das regiões com maior incidência dessas doenças. Essa ação busca preparar o país para um eventual aumento de casos nos próximos meses, apoiando as medidas de vigilância em níveis estaduais e municipais.

A secretária de Vigilância em Saúde e Ambiente, Ethel Maciel, destaca: “Estamos antevendo um possível aumento de casos com a ampliação do sorotipo três da dengue, algo que não circulava no Brasil há mais de 15 anos.”

A SNA será responsável por coordenar todas as ações em andamento e futuras atividades de monitoramento e combate, em colaboração com diversas secretarias do Ministério da Saúde. Seus objetivos englobam o planejamento, a organização, a coordenação e o controle das medidas durante a resposta às arboviroses, além da interação com gestores estaduais e municipais do SUS, a divulgação da situação epidemiológica à população e a mobilização de equipes.

Ethel Maciel ressalta: “Além do treinamento das equipes de Saúde da Família para o manejo desses casos, vamos trabalhar em conjunto com as coordenações de arboviroses nos estados e municípios, aprimorando a atuação dos agentes de combate a endemias (ACEs).”

Esse investimento integra uma série de ações já em curso. Desde o início de 2023, o Ministério da Saúde tem acompanhado de perto o cenário das arboviroses. Entre março e junho, período de maior incidência, foram realizadas 11 ações de apoio aos estados com maior número de casos e óbitos por dengue e chikungunya. Ademais, foram distribuídas 345 mil reações de sorologia e 131 mil exames de RT-PCR.

A Pasta investiu expressivamente em produtos para combate ao mosquito, lançou um painel público de dados, capacitou milhares de profissionais de saúde e iniciou o processo de estratificação de risco intramunicipal em áreas prioritárias para implementação de novas tecnologias.

O país já registra mais de 1,6 milhão de casos prováveis de dengue até novembro, representando um aumento de 22,7% em relação ao mesmo período do ano anterior. A taxa de letalidade, contudo, está em 4,5%, abaixo do ano passado, porém, com as mudanças climáticas e o El Niño, espera-se uma intensificação na propagação do Aedes, tornando a prevenção uma prioridade incontestável.

Pesquisa revela: Homens reconhecem necessidade de cuidar da saúde, mas barreiras persistem

No mundo atual, o cuidado com a saúde tornou-se um tema crucial e, felizmente, a consciência sobre essa importância parece estar crescendo entre os homens. Uma pesquisa realizada pelo Instituto Lado a Lado pela Vida, em conjunto com o QualiBest, revelou que 83% dos homens reconhecem a necessidade de priorizar mais sua saúde. No entanto, a rotina estressante é apontada por 51% deles como o principal obstáculo, seguida pelo acesso à saúde, mencionado por 32% dos entrevistados.

Entre os dados relevantes, destaca-se que 63% demonstraram uma preocupação significativa com sua saúde. A pesquisa, conduzida com 815 pessoas, revelou que mais da metade dos entrevistados depende do Sistema Único de Saúde (SUS), enquanto cerca de um quarto utiliza sistemas suplementares de saúde, e aproximadamente um quinto recorre a ambos.

Uma descoberta interessante foi que 88% dos homens consultam um médico pelo menos uma vez ao ano, sendo que 84% deles são responsáveis por agendar suas próprias consultas. No entanto, ainda existe um grupo de 10% que depende de suas parceiras para essa tarefa.

Marlene Oliveira, presidente do Instituto Lado a Lado pela Vida, destaca um progresso ao longo dos anos, porém ressalta que ainda há regiões onde persiste um forte preconceito que impede os homens de cuidarem de sua saúde. Ela enfatiza o papel fundamental da campanha Novembro Azul na conscientização.

No entanto, preocupações são levantadas pela presidente, pois muitos homens acabam agravando problemas de saúde ao postergar o diagnóstico precoce, o que impacta negativamente nos custos e na eficácia dos tratamentos.

A pesquisa revelou que 42% dos homens reconhecem estar acima do peso, sendo que 31% possuem um sobrepeso entre 6 e 10 quilos, enquanto 25% estão 15 quilos acima do ideal. Além disso, foram identificados tratamentos realizados nos últimos 5 anos, incluindo doenças cardíacas (16%), obesidade (15%), doenças respiratórias (14%) e, de forma menos frequente, tratamento para câncer (3%).

Marlene Oliveira enfatiza a necessidade de mudar o paradigma de masculinidade que muitas vezes impede os homens de procurarem cuidados médicos. Ela destaca a importância de educar meninos desde cedo sobre a importância da saúde, da mesma forma como se educa as meninas, e incentiva campanhas públicas voltadas para essa conscientização.

A discussão sobre a saúde masculina, segundo Oliveira, deve ser tão natural quanto a educação sobre saúde feminina, permitindo que os homens reconheçam e busquem ajuda diante de possíveis problemas de saúde, ao invés de adotar uma postura de “normalidade” diante de sintomas preocupantes.

Evolução da percepção do câncer de mama ao longo do tempo: Pesquisa revela mudanças significativas

Waleska de Araújo Aureliano, antropóloga e professora do Instituto de Ciências Sociais da Uerj, compartilha descobertas fundamentais provenientes de duas décadas de pesquisa sobre a jornada das mulheres com câncer de mama. Essa investigação revela um panorama abrangente sobre como essas mulheres lidam com o processo de adoecimento, destacando a visibilidade, a busca por acesso à saúde de qualidade e a decisão em reconstruir ou não o seio após a mastectomia.

A professora ressalta mudanças significativas desde os anos 1980 na forma como a sociedade e, especialmente, os profissionais médicos encaram a doença. O discurso médico, antes fatalista, evoluiu para um diálogo mais aberto e franco com os pacientes sobre o câncer de mama.

Ela aponta que, há quatro décadas, a palavra “câncer” era um tabu, evitada tanto pelos profissionais de saúde quanto pelas famílias dos pacientes. Porém, ao longo do tempo, a percepção da doença mudou progressivamente. “Embora ainda haja um estigma considerável em torno do câncer, muita coisa mudou. A noção de que o câncer de mama é uma sentença de morte está sendo substituída pela compreensão de que é uma doença crônica, desde que as pessoas afetadas tenham acesso adequado a diagnóstico e tratamento.”

A antropóloga enfatiza a importância do acesso adequado à saúde, destacando que a ideia de que tudo depende apenas da disposição individual das mulheres para cuidar de si não é eficaz sem as condições ideais para que todas possam fazê-lo adequadamente.

Waleska destaca o papel da internet e das mídias sociais no aumento da visibilidade do câncer de mama, influenciando a narrativa das mulheres ao receberem o diagnóstico com a perspectiva de cura e qualidade de vida prolongada. Isso, segundo ela, altera a percepção sobre o próprio corpo e sobre o significado de ser mulher, independentemente da reconstrução mamária ou da quantidade de seios.

Atualmente, seu foco de estudo são registros fotográficos artísticos e textos autobiográficos de mulheres que enfrentaram o câncer de mama, marcando uma mudança na representação da mulher de vítima para empoderada. Esses registros refletem a consciência das transformações trazidas pelo diagnóstico e tratamento, além da perda do constrangimento em expor o corpo ou falar sobre a doença.

Para Waleska, é fundamental considerar a diversidade de experiências nessa trajetória. Ela destaca que as transformações não são universais, variando conforme fatores sociais, culturais, acesso à saúde, histórico pessoal, relacionamentos e contexto profissional de cada mulher.

Ao longo dos anos, a pesquisadora observou que, em alguns casos, a pluralidade de visões sobre o câncer de mama reforça padrões de representação do corpo feminino. “Após o câncer, algumas mulheres sentem a pressão de ter que se mostrar de determinada forma, como se simplesmente ser mulher não fosse o suficiente.”

Alarme de saúde: Trombose causa 165 hospitalizações por dia no Brasil

Mais de 489 mil brasileiros foram hospitalizados para o tratamento de tromboses venosas entre janeiro de 2012 e agosto de 2023, revela levantamento inédito da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV). Isso representa uma média de 165 pessoas hospitalizadas por dia nos primeiros oito meses deste ano apenas na rede pública, conforme dados do Ministério da Saúde.

A pesquisa divulgada nesta segunda-feira (6) ressalta a urgência de cuidados diários com a saúde vascular, destacando a prevenção por meio de medidas simples, como a prática de exercícios físicos e o controle do peso corporal, para evitar complicações graves, como a embolia pulmonar.

A trombose venosa, caracterizada pela formação de coágulos nas veias, especialmente nos membros inferiores, pode causar manchas arroxeadas, desconforto, dor e inchaço nos locais afetados. Ela pode se manifestar como trombose venosa profunda (nas veias profundas) ou tromboflebite superficial (nas veias superficiais), sendo suas principais causas ligadas a alterações na coagulação, imobilidade prolongada e lesões nos vasos sanguíneos.

Fatores como o uso de anticoncepcionais, tabagismo e histórico familiar são considerados pela SBACV como determinantes de risco para o desenvolvimento dessa condição.

O estudo revela um panorama preocupante, apontando 489.509 internações entre 2012 e 2023, sendo 2019 o ano com maior número de registros, totalizando 45.216 hospitalizações. O Sudeste lidera com 53% (258.658) dos casos, enquanto o Norte reportou 25.193 internações pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

A média diária de internações em 2023 superou 165 pacientes, um recorde desde 2012, quando a média foi de 126 internações por dia. São Paulo se destaca como o estado com mais internações (131.446), seguido por Minas Gerais (77.823), Paraná (44.477) e Rio Grande do Sul (40.603).

A não identificação precoce e tratamento inadequado da trombose podem resultar na formação de êmbolos que, ao alcançarem o pulmão, causam a temida embolia pulmonar, levando à obstrução de canais sanguíneos e comprometendo a oxigenação. O estudo aponta 122.047 hospitalizações por embolia pulmonar, sendo o Sudeste a região mais afetada, seguido pelo Sul, Nordeste, Centro-Oeste e Norte.

São Paulo lidera as internações por embolia pulmonar (30.664), acompanhado por Minas Gerais (19.771), Rio Grande do Sul (9.542) e Paraná (7.707). Estados como Amapá (52), Roraima (61) e Acre (69) apresentam os números mais baixos de hospitalizações. A SBACV alerta para a importância da identificação precoce e tratamento adequado da trombose, ressaltando a gravidade e os riscos associados à embolia pulmonar.

Nova lei no Brasil garante assistência psicológica a gestantes e puérperas no SUS

Uma importante mudança legislativa foi sancionada e publicada no Diário Oficial da União  impactando diretamente a assistência prestada a gestantes e puérperas no Brasil. A recém-promulgada Lei 14.721/2023, que complementa o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), reforça o direito dessas mulheres à assistência psicológica dentro do Sistema Único de Saúde (SUS). Esta medida, que entrará em vigor daqui a 180 dias, também se propõe a promover campanhas de conscientização sobre saúde mental.

Ao complementar o artigo 8º do ECA, a nova lei consolida um importante avanço no atendimento às mulheres durante o ciclo gravídico-puerperal por meio do SUS. Desde 2009, o poder público já havia sido incumbido da responsabilidade de garantir assistência psicológica a essas mulheres, porém, a atualização legislativa fortalece e detalha tais direitos.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que, nos países desenvolvidos, aproximadamente uma em cada dez mulheres enfrenta problemas de saúde mental durante o período perinatal, incluindo ansiedade e depressão. Em nações menos desenvolvidas, essa proporção aumenta, atingindo cerca de uma em cada cinco mulheres nessas condições.

No contexto brasileiro, um estudo conduzido pela Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca (Ensp/Fiocruz) em 2012 revelou que aproximadamente 26,3% das mulheres apresentavam sintomas de depressão entre 6 a 18 meses após o parto.

A lei recém-publicada estipula que a assistência psicológica às gestantes, parturientes e puérperas seja indicada após avaliação do profissional de saúde durante o pré-natal e o puerpério, com encaminhamento de acordo com o diagnóstico e prognóstico.

Além de estabelecer diretrizes para a assistência psicológica, a legislação também determina que os hospitais e estabelecimentos de saúde voltados para gestantes, sejam eles públicos ou privados, desenvolvam atividades educativas voltadas à conscientização, esclarecimento e respeito à saúde mental da mulher durante o período gestacional e pós-parto. Esta iniciativa visa não apenas oferecer cuidados clínicos, mas também promover um ambiente propício à saúde mental e ao bem-estar integral da mulher nesse período tão crucial de suas vidas.

Unicef e Unaids apresentam Kefi, o Chatbot revolucionário de apoio a adolescentes com HIV

Dois escritórios da ONU, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e o Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (Unaids), uniram forças para lançar uma inovadora ferramenta de inteligência artificial destinada a apoiar adolescentes e jovens portadores de HIV a manterem uma vida saudável através do correto seguimento do tratamento. Batizado de Kefi, este chatbot pioneiro é a primeira inteligência artificial não-binária “vivendo com HIV”, desenvolvida para oferecer apoio anônimo e gratuito. O acesso a essa tecnologia pode ser facilmente obtido através do WhatsApp.

A iniciativa foi concretizada em parceria com a startup de impacto social Talk2U, responsável pelo desenvolvimento da Kefi, cujo conteúdo foi co-criado por jovens e especialistas da área. Luciana Phebo, chefe de Saúde, Nutrição e HIV/Aids do Unicef no Brasil, destacou a natureza interativa da Kefi, construída para dialogar de maneira eficaz com adolescentes e jovens. A plataforma pode ser acessada através do número +55 11 5197-4395 ou diretamente pelo WhatsApp.

Em 2021, o Boletim Epidemiológico HIV/Aids do Ministério da Saúde registrou 40.880 casos de HIV positivo no Brasil, com quase metade desses casos (18.013) ocorrendo entre indivíduos com idades entre 15 e 29 anos. No entanto, muitas vezes, o diagnóstico não é acompanhado do suporte necessário para esse grupo específico.

A Kefi surge como resposta a essa lacuna, buscando transformar vidas ao fornecer informações cruciais desde o momento do diagnóstico. A adesão ao tratamento é uma parte essencial desse processo, e a Kefi não apenas atende ao indivíduo, mas também oferece suporte ao coletivo. Luciana Phebo ressalta que a adesão precoce ao tratamento reduz significativamente a transmissão do vírus da Aids, e a inteligência artificial desempenha um papel crucial nesse cenário, proporcionando não apenas suporte individual, mas também psicossocial.

A pesquisa do Unicef destaca a informação acessível como a chave para acolher adolescentes e jovens recém-diagnosticados com HIV, levando-os a aderir ao tratamento de saúde. O chatbot Kefi oferece um espaço humanizado, empático e confidencial, abordando essas questões de maneira sensível.

Luciana Phebo reconhece a dualidade da inteligência artificial, mas destaca o uso positivo da Kefi como um exemplo notável de como a IA pode ser empregada para o benefício da juventude, promovendo a saúde de forma acessível e democratizada. Claudia Velasquez, diretora e representante do Unaids no Brasil, enfatiza a importância do Kefi ao proporcionar acesso à informação e orientação de maneira simples através dos celulares, impactando significativamente na redução da ansiedade, estímulo ao início ou continuidade do tratamento e combate ao estigma e discriminação.